“Merda bem cagada. Merda mal cagada”. Este é o slogan do brasileiro vendedor de merda no centro de São Paulo.

 

Elaboradas com a técnica de papel marche e pigmentada com as cores amarela e laranja para dar aquela cor padrão. Média de preço R$ 10,00. As bem cagadas são as mais caras, pois dá mais trabalho para esculpir.

 

Milhões de desempregados nas ruas, a concorrência é grande, então a saída foi inovar. Para incrementar, ele acrescentou umas baratinhas e ratos de pelúcia. Clientes sempre têm. Uns para brincar com amigos. Teve até mãe que levou para “educar”, o filho pequeno que cagava pela casa.

 

Há anos, usando as ruas como vitrine, nunca viu tanta gente procurando um ganha pão em cima de um pedaço de madeira, ou com uma lona no chão, pois tem que ser rápido para desmontar o negócio quando a Polícia e os fiscais surgirem.

 

“Não queria tá na rua, mas não tenho tempo para pensar muito”, disse ele de poucas palavras e apreensivo. Não quis dizer o seu nome.

 

Com a criatividade que ele tem para vender merda. Imagina se tivesse oportunidade ? Não tem o primeiro grau completo. Morou no sertão comendo farinha seca. Divide um quarto com outros vendedores no subúrbio paulistano.

 

Ele segue lutando, como milhões todos os dias. A desigualdade social é grande, justiça social é pífia. A luta de um, não é igual, a luta do outro.

 

O Rapa, apelido dos fiscais da prefeitura, passou pela rua do vendedor de merda, levando tudo. É uma correria. Pessoal se defende jogando coco verde e lixo no Rapa e na polícia. São cenas que assustam de um Brasil cheio de contrastes.

 

1 responder
  1. Caroline Dias
    Caroline Dias says:

    Palavras que se mostram próximas de nós!! Nunca pare de escrever. Seja cada vez mais abundante e conecta com nossos eus pelas palavras.

    Responder

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