Em busca de mudanças na vida, transformações, amadurecimento e o amor. Troquei uma cidade de 45 mil habitantes por uma de 12 milhões. São Paulo é gigante, cosmopolita e intrigante.

Quero desbravar meu novo mundo. Vou tentar contar por aqui minhas percepções  e vivências. Umas incríveis, outras realistas demais.  Olhar de um nova moradora, que não veio para turistar. 

 

 

 

Vendedor de merda

“Merda bem cagada. Merda mal cagada”. Este é o slogan do brasileiro vendedor de merda no centro de São Paulo.

 
Elaboradas com a técnica de papel marche e pigmentada com as cores amarela e laranja para dar aquela cor padrão. Média de preço R$ 10,00. As bem cagadas são as mais caras, pois dá mais trabalho para esculpir.
 
Milhões de desempregados nas ruas, a concorrência é grande, então a saída foi inovar. Para incrementar, ele acrescentou umas baratinhas e ratos de pelúcia. Clientes sempre têm. Uns para brincar com amigos. Teve até mãe que levou para “educar”, o filho pequeno que cagava pela casa.
 
Há anos, usando as ruas como vitrine, nunca viu tanta gente procurando um ganha pão em cima de um pedaço de madeira, ou com uma lona no chão, pois tem que ser rápido para desmontar o negócio quando a Polícia e os fiscais surgirem.
 
“Não queria tá na rua, mas não tenho tempo para pensar muito”, disse ele de poucas palavras e apreensivo. Não quis dizer o seu nome.
 
Com a criatividade que ele tem para vender merda. Imagina se tivesse oportunidade ? Não tem o primeiro grau completo. Morou no sertão comendo farinha seca. Divide um quarto com outros vendedores no subúrbio paulistano.
 
Ele segue lutando, como milhões todos os dias. A desigualdade social é grande, justiça social é pífia. A luta de um, não é igual, a luta do outro.
 

O Rapa, apelido dos fiscais da prefeitura, passou pela rua do vendedor de merda, levando tudo. É uma correria. Pessoal se defende jogando coco verde e lixo no Rapa e na polícia. São cenas que assustam de um Brasil cheio de contrastes.

 

 

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Universo paralelo

 

Meia hora de trem do centro de São Paulo você se depara com a mata atlântica intocada, no seu resplendor opilante. A força da Mãe Natureza.

Região de Paranapiacaba não é para pessoas com medo de fantasmas, almas penadas e bruxas.

Lugar destinado aos aventureiros e admiradores de misticismo, pessoas do bem e com curiosidade suficiente para não julgar.

Mata com mais de inúmeras trilhas de fáceis, difíceis e aquelas só para “Rambos”. Contato direto com a natureza com muita lama, rios, pedras escorregadias, cobras, bromélias e uns barulhos desconhecidos.

No meio de tudo, uma vila colonizada por ingleses em 1896, com poucos moradores, casas antigas, trens enferrujados e restaurantes que vendem tilápia frita, ocorre a convenção nacional das bruxas.

O vilarejo teve suas origens na época da construção da Estrada de Ferro, que liga o porto de Santos à Jundiaí, no interior de SP. construído para tracionar trens em uma subida de 796,6 metros de altitude, na Serra do Mar, para o transporte de café da cidade de Jundiaí ao Porto de Santos.

funicular que tinha capacidade de carga de 60 toneladas, funcionava com um sistema de contrapeso (como nos elevadores), enquanto uma composição subia, a outra descia com peso equivalente puxando a que subia para cima, sendo interligadas por um cabo de aço.

Um museu à céu aberto, coberto de neblina em dias úmidos e movimentado por trilheiros e misticos.

Centenas de pessoas das mais variadas crenças se encontram e trocam experiências.

Apresentações, palestras e debates com bruxas, esotéricos de toda a sorte e ufólogos. Há grupos mais peculiares como os vampiros, xamanistas, adeptos de tradições celtas até elfos.

Durante o ano, pessoas fantasiadas de lobisomens, Jason e morte são vistas como estátuas em busca de trocados.

Lugar instigante, mais um, neste país maravilhoso.